São luiz do Paraitinga...   

 

Paraitinga...    

 

Paranga.

 

PARANGA é contração de PARAITINGA, nome do rio que corta a cidade de São Luiz do Paraitinga - SP. Foi nessa terra, localizada na região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, que o grupo surgiu, com o objetivo de mostrar ao Brasil as coisas lindas que aconteciam por aqui...

 

São Luiz do Paraitinga, 1909.

 

     Pra contar a história do Paranga, primeiro temos que falar de Elpídio dos Santos. Esse, nascido em São Luiz do Paraitinga em 14 de janeiro de 1909, cresceu em meio aos ensaios da banda formada por seus irmãos e sobrinhos onde seu pai era maestro. Em ambiente propício, Elpídio aprendeu música.

     Tocou todos os instrumentos, mas no violão encontrou o parceiro ideal para sua mais relevante habilidade. Compor. Entre uma música e outra, conheceu “Cinira”, com quem se casou e juntos tiveram 7 filhos.

      Os filhos cresceram ouvindo a música pela casa e absorveram a musicalidade da herança familiar. Elpídio, quando fazia música, reunia-os, e fazia a farra da criançada.

      No ano de 1970 Elpídio morre, vítima de meningite, deixando os filhos pequenos e um tesouro que até então, se resumia nas músicas gravadas por nomes da música brasileira das décadas de 50, 60 e 70 e nas trilhas dos filmes do Mazzaropi.

 

Surge o Paranga

 

     Lá pela segunda metade da década de 70, um grupo de jovens luizenses, dentre eles - Negão, Pio, Parê e Nena – filhos do compositor Elpídio dos Santos – começou a amadurecer a antiga idéia de formar um grupo, e viam no legado musical de Elpídio uma fonte inesgotável de belas canções, algo capaz de alimentar o repertório de um artista anos a fio.

     Ao mesmo tempo que acompanhavam as evoluções musicais e sociais de seu tempo, os músicos do Paranga demonstravam também uma profunda sensibilidade quando trabalhavam a cultura tradicional de sua terra.

 

Mosaico musical

 

     Na mesma sala em que se gastava a agulha do toca-discos com clássicos do rock e da MPB pós-tropicalista, também se assoprava a poeira das velhas partituras de Elpídio dos Santos, resgatadas junto a um velho baú que havia na casa de dona Cinira.

     A adesão de instrumentos de sopro, a maioria instrumentistas oriundos da fanfarra da cidade, fazia com que a roupagem musical do Paranga destoasse cada vez mais da música caipira tradicional.  Não raramente, o nipe de metais executava melodias nostálgicas – arranjadas por Negão –, cuja sonoridade flertava com gêneros diversos, como a marchinha de carnaval , foxtrot, e outros gêneros.

     Uma peça decisiva na montagem do mosaico musical do Paranga foi a vivência que seus integrantes tiveram junto à cultura popular de São Luiz.  Faziam verdadeiras peregrinações pelos bairros rurais da cidade, absorvendo os ritmos das folias de reis, congadas e moçambiques.

 

Lira Paulistana

 

     No fim da década de 1970, o grupo ganhou o reforço de Renata Marques, que apaixonada por música, quando viu a turma tocando ficou encantada com tudo, principalmente pelo Negão. Não teve jeito, foi amor a primeira música...

     No início da década de 1980 encontrava-se num só palco violões, violas, cavaquinho, percussão, nipe de metais, além das três vozes femininas. Esse conglomerado de instrumentos dava ao Paranga o curioso status de “big-band caipira”. E foi com esse espírito inovador que o grupo lançou um dos trabalhos mais felizes da chamada música regional: o álbum Chora viola, canta coração, de 1982.

     No ano de 1994 o grupo remasterizou e lançou em CD o primeiro álbum do grupo: Chora viola, canta coração em parceria com gravadora Atração Fonográfica.

     Paralelamente à cena pop-rock, em que bandas como Titãs, Ultraje a Rigor e Ira! comandavam a festa –,  vinha à tona o que veio a se chamar de Vanguarda Paulistana: movimento de cunho experimentalista, que fundia as raízes musicais brasileiras ao rock e à música erudita contemporânea. Foi no principal reduto desse movimento, o Teatro Lira Paulistana, que o Paranga ganhou maior acolhida de público, os luizenses marcando época ao lado de artistas como Arrigo Barnabé, Itamar Assunção e grupos como Premeditando o Breque, Rumo e Língua de Trapo.

Biografia Paranga

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