O Woodstock caipira                        

Lá pela segunda metade da década de 70, um grupo de jovens luizenses começou a amadurecer a antiga idéia de formar um grupo. Dentre eles, Negão, Pio, Parê e Nena – filhos do compositor Elpídio dos Santos – viam no legado musical do pai uma fonte inesgotável de belas canções, algo capaz de alimentar o repertório de um artista anos a fio.

Ainda que sua proposta musical fosse dar voz à obra de Elpídio dos Santos – o compositor preferido de Mazzaropi –, o Paranga não pretendia se agarrar necessariamente ao estereótipo de caipira. Mesmo porque, ao contrário das tradicionais duplas de violeiros – muitas formadas por tropeiros ou lavradores –, os integrantes do grupo haviam crescido na cidade, sob influência dos meios de comunicação e respirando a atmosfera libertária da contracultura dos anos 70.         

Quem poderia imaginar que aqueles jovens de cabelos compridos, de roupas coloridas e despojadas fossem os grandes irradiadores da cultura caipira de uma cidade como São Luiz do Paraitinga?         

Pois, ao mesmo tempo que acompanhavam as evoluções musicais e sociais de seu tempo, os músicos do Paranga demonstravam também uma profunda sensibilidade quando trabalhavam a cultura tradicional de sua terra. “Entre as influências do grupo estava a música caipira, o rock’n roll e o gingado de choro carioca no violão... Depois isso tudo foi se misturando”, comenta o compositor Marco Rio Branco, que sempre acompanhou de perto o trabalho do grupo.

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