Mosaico musical

        

Na mesma sala em que se gastava a agulha do toca-discos com clássicos do rock e da MPB pós-tropicalista, também se assoprava a poeira das velhas partituras de Elpídio dos Santos, resgatadas junto a um velho baú que havia na casa da vó Cinira, viúva do compositor e mãe de quatro dos integrantes originais do grupo: Negão, Pio, Nena e Parê.

        

Por outro lado, a continua adesão de instrumentistas de sopro, a maioria oriundos da fanfarra da cidade, fazia com que a roupagem musical do Paranga destoasse cada vez mais da música caipira tradicional.  Não raramente, o nipe de metais executava melodias nostálgicas – arranjadas por Negão –, cuja sonoridade flertava com gêneros diversos, como a marchinha de carnaval carioca e até mesmo o foxtrot.

        

Mas a peça decisiva na montagem do mosaico musical do Paranga foi a vivência que seus integrantes tiveram junto à cultura popular de São Luiz.   Os músicos do grupo faziam verdadeiras peregrinações pelos bairros rurais da cidade, absorvendo os ritmos das folias de reis, congadas e moçambiques.

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